domingo, 10 de julho de 2016

O "MILAGRE" DA MÚSICA

DAVID CHEW
Todos os anos, por esta altura, vêmo-los a andar com os seus instrumentos às costas, e, entre a Moagem, o Casino Fundanense e a Academia de Música, vivem a aventura do Festival Internacional de Música do Fundão, um acontecimento que já vai na 17.ª edição e se tem afirmado como iniciativa cultural de grande qualidade, dentro e fora do país. É uma semana em que, de certo modo, a paisagem humana da cidade se modifica e a música se transforma no centro do mundo. É uma lufada de ar fresco que passa por esplanadas e cafés. Concorrentes, membros dos júris, público acompanhante, aí estão numa estimulante realidade. O Festival cresceu e acolhe hoje disciplinas como Piano, Violoncelo, Canto, Guitarra e Violino. E hoje, no concerto dos laureados, ficou bem nítido o rigor e a exigência das provas. Jovens executantes bem dentro dos cânones, alguns a mostrarem um virtuosismo e uma técnica que fazem sonhar em altos voos.
À fala com o pianista Jorge Moyano, que integra o júri e quase desde a primeira hora se ligou, como entusiasmo ao Festival, falamos do "milagre" da música à escala do país e de como essa democratização é uma revolução tranquila no campo da Educação. De facto, a presença de Jorge Moyano, ao longo dos anos, nesta iniciativa da Academia de Música, é logo um crédito de prestígio invulgar. Eu disse-lhe isso mesmo e apenas lhe fiz um pedido: gostaria de o ver tocar outra vez no Festival Internacional de Música do Fundão. Ele sorriu: "Talvez no próximo ano!"
Outra surpresa foi o concerto de ontem, à noite. Como explicou o Prof. João Correia, estavam à nossa frente grandes músicos: Haroutune Bedelian (violino); Russel Guyver (viola); David Chew (violoncelo); Lorna Griffitt (piano). É o London Music Club Piano Quartet e a sua presença no Fundão e no Festival materializava uma coisa extraordinária: a réplica fundanense do Rio International Cello Encounter. David Chew foi o responsável de mais este "milagre" da música.
A noite encheu-se de estrelas imaginárias com as peças que o Quarteto, durante mais de hora e meia, tocou, trazendo-nos Mozart e Brahms e ainda uma oferta: Schumann.
Que grandes dias!

3 comentários:

  1. Parabéns ao violoncelista Jed Barahal, responsável junto a Academia de Música e dança do Fundão pela abertura e realização deste evento em Portugal.

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    1. Obrigado pela informação e parabéns meus, também, ao violoncelista Jed Barahal. E, sobretudo, gratidão por ter sido possível este acontecimento relevante.

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