quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

A MATERNA CASA DA POESIA EM PARIS


No próximo sábado, dia 10, às 18 horas, estarei na Casa de Portugal (Residência André de Gouveia), em Paris, na Cidade Universitária, para participar na apresentação de A Materna Casa da Poesia. Sobre Eugénio de Andrade. Trata-se da segunda edição, revista e ampliada com novos capítulos, de um livro que se encontrava esgotado. A organização é da Casa de Portugal e fica a dever-se ao interesse e entusiasmo com que a directora, a dr.ª Ana Paixão, que à frente da instituição tem realizado uma acção cultural notável, abraçou o projecto. Outro nome imprescindível, militante de portugalidade e de amizade, é o de Abílio Laceiras inexcedível no apoio à iniciativa.
A sessão será, do meu ponto de vista, sobretudo uma festa à volta da poesia de Eugénio de Andrade, um dos maiores poetas portugueses. E, por isso, A Materna Casa da Poesia será universo e pretexto para ouvirmos também música e poesia. José Manuel Esteves recitará poemas de Eugénio de Andrade, Adelino Pereira lerá "As Mães", na companhia das interpretações de João Costa Lourenço, ao piano.
A Materna Casa da Poesia. Sobre Eugénio de Andrade, nasceu no âmbito do projecto “Rota dos Escritores do Séc. XX”, que a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro (era assim que se chamava) promoveu e que, infelizmente, ficou pelo caminho porque a cultura, em relação ao poder, é sempre subsidiária do peso do analfabetismo dos seus actores.
Para mim, escrever o ensaio, foi uma tarefa exaltante. Permitiu-me rever caminhos percorridos com o Poeta na sua geografia sentimental da Beira, cuja raiz essencial radica no seu “locus nascendi”: “Das coisas melhores que me aconteceram na vida foi ter nascido numa aldeia da Beira Baixa”, chamada Póvoa de Atalaia, “e aí – outra vez o Poeta a falar – ter passado toda a minha infância”. Esses passos pelos lugares, pelas casas, em busca das velhas oliveiras, pelos terrenos baixos de onde se olha a Gardunha, graduou-os a memória, como essenciais, e foi a esses prazeres que eu pude regressar, então e agora, para, sílaba a sílaba, edificar A Materna Casa da Poesia.

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