domingo, 4 de dezembro de 2016

TRANSVERSALIDADES NO CEI

Há uma semana, subi à Guarda para participar em mais uma edição de "Transversalidades", um projecto do Centro de Estudos Ibéricos, já com sucessivas edições, este ano dedicado à "fotografia sem fronteiras". É um conjunto de iniciativas culturais notáveis, com um sentido actualizante, que se projecta para além do seu carácter de acontecimento imediato pela riqueza das exposições, pela qualidade dos debates e a sobriedade e interesse das publicações.
O Centro de Estudos Ibéricos nascido, como se sabe, de uma ideia luminosa de Eduardo Lourenço, tem no acervo documental das suas edições um contributo valiosíssimo para o conhecimento de uma realidade que vai muito para além da Ibéria e se alarga ao mundo da Iberoamérica e do Lusofonia, como mostram os prémio que o CEI já atribuiu, por exemplo, a Mia Couto e a Luís Sepúlveda ou ao investigador colombiano Jerónimo Pizarro, autor de obra referencial sobre Pessoa.
Quem quiser ter uma ideia da qualidade estética de "Transversalidades" basta ver a exposição que seleccionou as obras de cerca de setecentos concorrentes, no Teatro Municipal da Guarda, ou consultar o belíssimo catálogo que faz memória do acontecimento. Rui Jacinto caracteriza este universo de imagens como "um atlas visual do mundo" assinalando, numa citação de Sebastião Salgado, que "uma qualidade importante de fotografar é ser "uma escrita tão forte porque pode ser lida em todo o mundo sem tradução". O projecto "Transversalidades", sublinha Rui Jacinto, "como testemunha o espólio visual reproduzido nos catálogos já editados" estruturado "a partir de quatro coordenadas fundamentais -- património cultural, paisagens e biodiversidade; espaços rurais, agricultura e povoamento; cidade e processos de urbanização; cultura e sociedade; diversidade cultural e inclusão social -- coleciona um acervo documental que constitui um pequeno observatório que progride, a cada ano, para um pequeno atlas visual do mundo em mudança".
Para além destes múltiplos olhares, que nos ajudam a perceber a diversidade que nos rodeia, outras iniciativa marcaram "Transversalidades", potenciando a capacidade de observar ao desejo de imaginar o território através de "uma geografia e poética do olhar". Esta perspectiva deu origem a uma mostra que "põe em diálogo tempos e espaços que distam várias décadas e continentes: Portugal está representado por Alfredo Fernandes Martins (de quem se comemora o centenário do nascimento), José Manuel Pereira de Oliveira e Jorge Gaspar, Espanha por Valentín Cabero Dieguez e o Brasil por Carlos Augusto de Figueiredo Monteiro, Messias Modesto dos Passos e Rogério Haesbaert.
Assinale-se ainda a homenagem a um fotógrafo da Guarda Monteiro Gil e o lançamento do número 12 da revista Iberografias, quase trezentas páginas de excelentes temáticas. 

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