sábado, 20 de fevereiro de 2016

UMBERTO ECO

Mesmo que fiquem os livros, que procuram resistir no tempo à efemeridade e ao esquecimento, a morte de um escritor com o universalismo de Umberto Eco é uma notícia triste, que os seus leitores recebem com um sentimento de perda irremediável. O grande fascínio da literatura (da poesia e do ensaísmo) é permitir-nos alcançar outros mundos, territórios inimagináveis antes da leitura, viagens sem princípio nem fim, tudo por obra e graça dos grandes criadores. No caso de Umberto Eco, viajei muito com ele, saboreando a cada passo uma ironia desarmante ou descobrindo vastos continentes do saber que descodificavam tempos, e, descodificando-os, nos ajudavam a caminhar na vida.
Lembro-me bem que o primeiro livro que me tocou foi Viagem à Irrealidade Quotidiana, onde Umberto Eco exercita sobretudo a escrita imediata que surge da emergência do quotidiano através da observação de fenómenos que vão desde conselhos para comer num avião (onde o espaço é escasso) a realidades culturais, as mais diversas. A sua grandeza como escritor e ensaísta (era filósofo na verdadeira acepção da palavra) está contida em obras tão diversas como O Nome da Rosa, O Cemitério de Praga, A Misteriosa Chama da Rainha Louana, História da Beleza, Baudolino, Diário Mínimo, Como se Faz uma Tese ou Obra Aberta.
Eco, juntava ao seu labor académico (onde não queria ser metido em redomas), uma capacidade de intervenção (o jornalismo foi uma das suas paixões) sobre as questões cruciais do nosso tempo. A sua obra reflecte bem essa dimensão, a começar pelo O Nome da Rosa, transposto para o cinema, que é uma excelente metáfora sobre o perigo dos livros e a vigilância das bibliotecas, e onde um livro que elogiava o riso se tornou heresia que provocou mortes e a intervenção da Inquisição.
No seu último livro, Número Zero, Umberto Eco trata de uma questão  central do nosso tempo e da própria sobrevivência da democracia: a imprensa, o jornalismo. No ano passado, quando o livro foi lançado em Espanha, eu fiz aqui um comentário sobre a actualidade do tema, que hoje reproduzo:

"Notícia o último Babelia que "Umberto Eco escreveu uma paródia feroz sobre o jornalismo e a política". O livro foi agora publicado em Barcelona (em Portugal, também já foi), e a narrativa que Eco urdiu gira à volta de um jornal criado não para ser lido pelo público, mas para extorquir dinheiro aos poderes estabelecidos: "Bastam uns poucos jornalistas devidamente dirigidos e apenas umas dezenas de exemplares para intimidar os destinatários seleccionados. Tudo muito barato e higiénico, sem os custos de uma publicação, que sempre deixa uma regueira de sangue".
Em Portugal, não faltam casos de imprensa que existe para intimidar alvos devidamente seleccionados. Todos conhecemos situações dessas. Mas ao contrário do livro de Umberto Eco, por cá é para vender papel, fazendo sangue... Achei curiosa uma das descrições que Babelia singularizava: "O seu repórter mais aguerrido, de nome Bagagadocio, exclama em plena febre investigadora que "os jornais não estão feitos para difundir, mas para encobrir notícias". E num outro passo: "Sucede o facto X, não podes obviá-lo, mas, como põe em apuros demasiada gente, nesse mesmo número marcas uns grandes títulos, de pôr os cabelos em pé, e a tua notícia se afoga no grande mar da informação".
No livro de Eco, "o director da redacção fantasma veta inclusivamente nos números zero qualquer notícia que possa beliscar os interesses do proprietário, quer se trate do assassinato do juiz Falcone às mãos da Mafia ou dos subornos a políticos para conseguir contratos: a realidade é apenas um elemento aleatório que deve submeter-se à vontade de amedrontar". O escritor César António Molina, que comenta o livro, lembra: "A queda da imprensa em mãos irresponsáveis é a mordaça que os corruptos impõem à democracia e significa a destruição das raízes da própria democracia. Um jornalismo que só serve para fabricar dossiers. Esta falsa novela de Eco (...) é todo um requisitório contra o estado de ruína em que se tornou a sociedade italiana desde o fascismo até aos nossos dias".
O problema é que esta forma de seleccionar a realidade, duma certa imprensa, tem contornos geográficos mais vastos. A denúncia de Umberto Eco é mais vasta. Quem não pensa nestas coisas a propósito da sociedade portuguesa?"
Em tempo de evocação de Eco, surge como obra maior O Pêndulo de Foucaut, e eu tenho citado uma história admirável que lá li sobre a desmedida imaginação ou a ausência de contacto com a realidade, que é uma coisa que acontece muito por cá, aos políticos. Vale a pena voltar à história que Umberto Eco foi colher a Collin de Plancy (Dictionnaire Infernal, Paris, 1844) e que ele transcreveu assim: "Contando um dia que tinha conhecido Pôncio Pilatos em Jerusalém, descreveu minuciosamente a casa do governador, e citava os pratos servidos à ceia. O cardeal de Rohan, julgando estar a ouvir fantasias, virou-se para o criado do conde Saint-Germain, um velho de cabelos brancos e de ar honesto: - Meu amigo! -- disse-lhe ele. -- Custa-me acreditar no que diz o vosso amo. Que seja ventríloquo, muito bem, que faça ouro, de acordo; mas que tenha dois mil anos e tenha visto Pôncio Pilatos, é de mais. Estáveis lá também? - Oh não, monsenhor! -- respondeu ingenuamente o criado. -- Só estou ao serviço do senhor conde há quatrocentos anos!"
Umberto Eco, sempre!

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

A FACTURA DO MESTRE DE OBRAS

É muito curioso como documentos banais, às vezes breves sinais da vida quotidiana, impregnados de pó dos tempos, adquirem um sabor especial e provocam-nos suaves sorrisos, lidos à luz da actualidade. Este, que hoje aqui trago, é a cópia da factura que um mestre de obras, decerto ciclópicas obras, apresentou em 1853 pela reparação que fez na Capela do Bom Jesus de Braga. O original está na Torre do Tombo. É assim: “Por corrigir os10 mandamentos, embelezar o Sumo Sacerdote e mudar-lhe as fitas: 170 réis; Um galo novo para S. Pedro e mudar-lhe a crista: 95 reis; Dourar e pôr penas novas na asa esquerda do Anjo da Guarda: 90 reis; Lavar o criado do Sumo Sacerdote e pintar-lhe as suissas: 160 reis; Tirar as nódoas ao filho do Tobias: 95 reis; Uns brincos novos para a filha de Abraão: 245 reis; Avivar as chamas do Inferno, pôr um rabo ao Diabo e fazer vários concertos aos condenados: 245 reis; Fazer um menino ao colo de Nossa Senhora: 210 reis; Renovar o Céu, arranjar as estrelas e lavar a lua: 130 reis; Compor o fato e a cabeleira de Herodes: 55 reis; Retocar o Purgatório e pôr-lhe almas novas: 355 reis; Meter uma pedra na funda de David, engrossar a cabeleira ao Saúl e alargar as pernas do Tobias: 95; Adornar a arca de Noé, compor a barriga ao Filho Pródigo e limpar a orelha esquerda de S. Tinoco: 135 reis; Pregar uma estrela que caiu ao pé do coro: 25 reis; Umas botas novas para S. Miguel e limpar-lhe a espada: 255 reis; Limpar as unhas e pôr os cornos ao Diabo: 185 reis”.

AS CRIANÇAS DE CAXIAS VIVIAM NO FIO DA NAVALHA

Talvez um dos sintomas mais nítidos da desumanidade que atravessa a sociedade portuguesa possa colher-se na persistência dramática que a narrativa da actualidade oferece sobre o mundo infantil. E, de cada vez que somos confrontados com essa realidade, de cada vez que os nossos olhos se abrem de espanto para a sordidez de notícias de maus tratos ou de violações, e de outras situações limite que acabam quase sempre na irremediabilidade da morte, fazemos um acto de contrição que se dissolve na perplexidade de uma interrogação: como foi possível?
É possível, é. Não faltam nomes de meninos e meninas que são o rosto de um destino trágico anunciado. Todos sabemos que é assim. Na sombra da sociedade, à margem de tudo, vivem milhares de crianças que a indiferença de todos, a ausência de solidariedade e a rotina burocrática das instituições condenaram precocemente. Quantas crianças em risco há em Portugal? Ao certo, ninguém sabe ou procura saber. Às vezes, quando a tragédia surge nos horários nobres dos noticiários – não para denunciar e acautelar o futuro, mas sobretudo para o espectáculo mórbido da desgraça – há uma certa comoção colectiva que logo se desvanece, pois essas situações estão, geralmente, fora do alcance da nossa vista, são periféricas ou vivem na solidão de quatro paredes intransponíveis. E as situações repetem-se, abrem-se mais quatros palmos de terra e fica-se à espera do menino ou da menina que se segue.
O inventário é longo e variado na sociedade portuguesa, e às vezes as histórias adquirem tal grau de dramatismo, que é impossível esquecer nomes ou rostos, como aconteceu com aquela menina do Algarve que se chamava Joana e desapareceu. Esquecer, como? - pergunto-me quando a notícia das crianças mortas, que uma mãe levou para o mar, em Caxias, uma de meses, outra de três ou quatro anos. A anormalidade do caso, deve levar-nos à inquietação maior: como foi possível a situação anormal daquele quadro familiar se prolongar até à fatalidade da morte das crianças? Quem não fica com os cabelos em pé quando ouve dizer que a situação estava sinalizada --sinalizada para quê? Para a morte?
Ora, neste como em muitos outros casos, há sempre omissões criminosas daqueles que tomam como natural aquilo que o não é e passam a vida a falar nos superiores interesses das crianças... Assiste-se com demasiada frequência à inoperacionalidade das Comissões de Protecção de Menores e até a uma certa indiferença do Ministério Público. Quantas vezes, na denúncia de casos de risco, quantas vezes no confronto com situações de infra-humanidade se reage com o argumento de que a família (como se existisse família naqueles quadros!) é soberana e decisiva? Quantas crianças, neste preciso momento, estarão em risco? Quantas? O mundo infantil está cheio de violências. Vemos, ouvimos e lemos retratos de realidades onde a desumanidade anda à solta, vemos, ouvimos e lemos relatórios de crianças no fio da navalha de vida-que-não-é-vida e ficamos atónitos por este país não ter aceno de remorso colectivo. Vergonha!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

"MIGUEL RELVAS, O EFISA E A SELVA"

Muitas vezes aqui critiquei João Miguel Tavares pelos preconceitos ideológicos de direita subjacentes a muitos dos seus escritos. Ora, ontem, no "Público", publicou na sua coluna um texto intitulado "Miguel Relvas, o Efisa e a selva" que me parece ser o melhor publicado sobre a espúria relação entre Passos Coelho e o seu ministro, a propósito da compra de um banco. A célebre questão: "Passos Coelho dá 90 milhões a Miguel Relvas"...
Nesse sentido, pelo carácter pedagógico da prosa, e, também, pelo retrato que faz de Passos Coelho e da aldrabice que paira sobre este negócio, vale a pena aqui deixar a crónica do insuspeito JoãoMiguel Tavares, com a devida vénia. Ei-la, para que conste:
"Pedro Passos Coelho foi entrevistado no fim-de-semana pelo Jornal de Notícias, e quando questionado acerca da venda do banco Efisa a uma sociedade com ligações a Miguel Relvas, respondeu: “Isso é um não-assunto.” Ora, se o ex-primeiro-ministro considera o tema um “não-assunto”, eu considero meu dever esclarecer-lhe porque é que o Efisa não só é um assunto, como é um assunto muito feio.
Nos últimos dois anos, o Estado, através da Parparticipadas – sociedade anónima criada em 2010 para gerir o processo de reprivatização do BPN –, injectou 90 milhões de euros no Efisa. A última injecção, de 12,5 milhões, foi feita em Janeiro, antes da venda do antigo banco de investimento do BPN à Pivot SGPS. Essa venda terá sido realizada por um valor a rondar os 38 milhões de euros. Segundo o Tribunal de Contas, o preço do BPN para os contribuintes já vai em 2,7 mil milhões, estimando-se que o buraco possa derrapar até aos 5,5 mil milhões.
O Efisa, como explicou ao Diário Económico o fundador e accionista da Pivot Ricardo Santos Silva, possui um trunfo precioso numa época em que se tornou bem mais difícil criar bancos: “uma licença bancária universal, que abre muitas oportunidades”. Oh, se abre – e quando cheira a oportunidades, logo surge Miguel Relvas e o seu oportuno nariz.
Já depois de acordada a venda do Efisa, os jornais deram conta da entrada no capital da Pivot de um pequeno grupo de accionistas, entre os quais Relvas. Miguel Relvas, destacado ex-ministro do Estado, surge a fazer negócios com o Estado, para a compra de um banco. Mais. O actual presidente do veículo estatal Parparticipadas, que vendeu o Efisa à Pivot SGPS, chama-se Francisco Nogueira Leite. O mesmo Francisco Nogueira Leite que trabalhou com Pedro Passos Coelho na administração da Tecnoforma. A mesma Tecnoforma que em 2004 usou e abusou de fundos comunitários geridos pelo então secretário de Estado da Administração Local Miguel Relvas.
E o não-assunto não fica por aqui. Miguel Relvas já havia trabalhado para o Efisa em 2007, prestando consultadoria ao banco no Brasil, numa altura em que era deputado do PSD e líder da Comissão das Obras Públicas. Tudo legal, claro. Até porque, em 2011, Relvas garantiu ao PÚBLICO que nunca recebeu “um cêntimo da Efisa”. Claro que não recebeu. Ele apenas recebeu da empresa Kapakonsult, da qual era administrador, e que na sua curta existência teve um único cliente: o banco de negócios do BPN, Efisa. Vamos então resumir. Relvas trabalhou para um banco que faliu. Trabalhou para o governo que geriu a falência desse banco. E agora recupera o banco devidamente recapitalizado pelo governo de que fez parte – não se está mesmo a ver que isto é um “não-assunto”?
Uma achega final. Há quem recorde o papel de Dias Loureiro no BPN e garanta haver mãozinha sua neste negócio. A mim parece-me mera insinuação, fruto de más línguas. Estou certo que desde que o então ministro Miguel Relvas passou o réveillon de 2012 para 2013 no Copacabana Palace na companhia de José Luís Arnaut e Manuel Dias Loureiro, eles nunca mais voltaram a ver-se. Portanto, só resta à autoridade de supervisão apressar-se a conceder a idoneidade a Miguel Relvas, para que possa exercer com o garbo e a competência reconhecidas a profissão de banqueiro. Depois, é só enviar essa informação para Bruxelas, devidamente assinada por Carlos Costa, Governador do Banco da República das Bananas Anteriormente Conhecida como Portugal."

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

O SILÊNCIO DOS COMENTADORES AMESTRADOS

Por que será que os papagaios comentadores das televisões e dos jornais, que se portam como "cães de guarda" da Europa financeira e dos mercados, que fazem a narrativa do medo desde que António Costa formou governo, que vaticinam o caos em cada comentário mistificatório, se calam ou diluem quando os factos ou os acontecimentos não se ajustam às suas teorias apocalípticas? Por que será que hoje não fizeram o chinfrim habitual, não reproduziram o dedo acusador de Schauble, não foram ouvir o Coelho sobre os perigos do Orçamento?
A razão é bem simples. Porque hoje, a notícia do dia podia ser esta (mas não foi...): "a terceira semana de fevereiro abre com os juros das Obrigações do Tesouro a 10 anos a caírem para 3,6% no mercado secundário, depois de um pico de 4,5% na quinta-feira passada. O prémio de risco da dívida portuguesa continua a descer".
Toma que já almoçaste!

domingo, 14 de fevereiro de 2016

ESCRAVATURAS

Não foi uma nem duas vezes que tenho escrito sobre a escravatura moderna, urdida pelos gestores europeus do capitalismo financeiro, com o braço solícito dos direitolas do Eurogrupo e dos seus chefes, que têm semeado a desgraça e a pobreza e têm como grande objectivo pôr de joelhos os países e os povos.  Em certo sentido, é uma guerra por outros meios que parece não ter fim, ou só o terá se os povos europeus se levantarem contra esta vergonha supranacional. Sendo esta uma matéria de inquietação minha, quero aqui destacar a lucidez de Pacheco Pereira que, no último artigo publicado no "Público" falou longamente sobre "Escravatura por dívida". Um dos traços dos artigos de José Pacheco Pereira é por-nos a pensar e contrariar o seguidismo acéfalo do coro de comentadores e de sujeitos que têm lugar cativo nas televisões e nos jornais. Por isso, aqui deixo um trecho daquela prosa -- para pensarmos um pouco na "escravatura por dívida":
"A história conheceu e conhece muitas circunstâncias em que, por não pagamento de uma dívida, uma pessoa perdia a sua liberdade e ia preso ou, pior ainda, era reduzido a um estatuto de escravatura, temporária ou definitiva. Estas práticas existiam na Grécia antiga, com a sempre especial excepção de Atenas, onde Sólon as proibiu. E mais ou menos espalhadas continuaram na Índia praticamente até aos nossos dias, tendo conhecido formas variadas de trabalho forçado durante a expansão colonial europeia. Hoje, uma das formas modernas de escravatura por dívida é praticada pelos grupos mafiosos que exportam mão-de-obra e emigrantes para a Europa e América e mulheres para redes de prostituição, retirando-lhes os documentos, em nome da dívida que contraíram ou as suas famílias para "pagar" a viagem e a entrada ilegal nos países mais ricos.
Estamos a falar, como é óbvio, de actividades criminosas, visto que a escravatura é um crime. Ah!, afinal não é bem assim. Se se tratar de um Estado soberano que tenha uma grande dívida, por exemplo, Portugal, este pode ser obrigado, sob pena de morrer à fome ou de uma qualquer forma de intervenção estrangeira mais ou menos agressiva que o transforme num pária, como aconteceu na Grécia, a aceitar uma qualquer forma de escravatura por dívida. Escravatura significa aqui deixar de ser um país democrático, porque os seus habitantes deixam de poder votar como entenderem, ou então votam sem consequência, porque as políticas que lhe são exigidas são sempre as mesmas — trabalhar para pagar aos credores, sob a forma que os credores consideram ser mais eficaz em função dos seus interesses.
Escravatura significa aqui que um país, Portugal, por exemplo, deixa de ser propriedade dos portugueses para o ser dos credores, que definem os orçamentos, as políticas, até ao mais pequeno pormenor, deixando apenas a intendência muito menor aos responsáveis locais. Escravatura significa que esses países e povos que assinaram em desespero de causa um contrato, seja um memorando, seja um tratado orçamental, um contrato por dívida, ou outro, um contrato que obriga todas as políticas a servir a dívida e o seu pagamento, não podem sequer escolher qualquer outro caminho para pagar a dívida que não seja o de aceitarem a escravatura, senão partem-lhes as pernas. Os credores controlam a "reputação" e a "confiança" de um país, conforme ele cumpre os preceitos do bom escravo, e, caso haja dúvidas sobre a sua obediência, tiram-lhe de imediato o ar."