sábado, 2 de julho de 2016

LUÍS SEPÚLVEDA E A MATÉRIA DOS SONHOS

Eduardo Lourenço felicita Luís Sepúlveda
Às vezes, penso que a vida se abre às coisas verdadeiramente fabulosas da breve existência que nos cabe em sorte, porque o sonho de um mundo fraterno, como reclama Luís Sepúlveda na sua aventura literária, pode afinal estar ao nosso alcance no conhecimento das palavras que se tornam matéria de esperança, na mão que se abre a outras mãos de gente excepcional, porque é gente boa, e nessa bondade transportam histórias de vida que nos deixam de olhos abertos de espanto, e, ao mesmo tempo, de sorriso aberto ao futuro.Ontem, na Guarda, vivi momentos desses. Momentos fantásticos, emoções fundas, partilha de memórias, que assim foi a jornada com o convívio, o diálogo e as palavras com Luís Sepúlveda, Eduardo Lourenço e Daniel Mordzinski: a literatura e o mundo. O universo de Luís Sepúlveda, a sabedoria de Eduardo Lourenço, a ironia de Mordzinski, que fotografou Borges, Cortázar, Gelman, Ernesto Sábato, que acompanha Sepúlveda há mais de 30 anos e viajou com ele à Patagónia e à Terra do Fogo. Quantas histórias! Agora, penso que foi, de facto, um dia feito à roda de histórias, e fixo-me na conversa que, à noite, na Biblioteca Eduardo Lourenço, mantive durante duas horas com Luís Sepúlveda. A densidade da sua história de vida, o despojamento para falar na primeira pessoa, o Chile ("o meu país morreu no dia 11 de Setembro de 1973"), o nascimento da literatura (sempre a poesia!), os livros e uma certeza: "a vida tem muita literatura". Na cerimónia da entrega do prémio, à tarde, tive a honra de fazer uma viagem pela obra de Luís Sepúlveda. O texto dessa navegação é o que deixo aqui, como se estivesse a repetir mais um apertado e fraterno abraço ao autor de "O Velho Que Lia Romances de Amor". 

"Uma escrita feita da matéria dos sonhos 

Venho aqui hoje, despido de vaidades, como quem cumpre um honroso encargo: dar um abraço de gratidão ao escritor Luís Sepúlveda, por tudo aquilo que ele acrescentou, como matéria de sonhos, à nossa inquietação cidadã, ao nosso universo cultural, à nossa condição de leitores, circunstância em que nós somos literatura, como um dia lembrou Eduardo Lourenço.
Foi para mim uma enorme honra ter sido eu a propor a candidatura de Luís Sepúlveda a este prestigiado galardão e penso sinceramente que a sua obra se ajusta, como poucas, ao patrono do prémio, o autor da luminosa ideia do Centro de Estudos Ibéricos, essa outra “jangada de pedra” a ir pelo mundo, levando a Ibero-América e os continentes da Lusofonia, como se quiséssemos ter ouvido palavras antigas de Herberto Hélder, quando o poeta defendeu em 76 (há quantos anos!) que “as línguas portuguesa e castelhana, reconhecendo-se os divórcios e ignorâncias em que estão, podem afirmar-se como um nó cultural de onde partiu o impulso criador que tem exemplo frontal na chamada América Latina e se instituiu mais recentemente em África”.
Esse sentimento de pátrias idiomáticas comuns partilha-o Luís Sepúlveda com o universo pessoano (“a minha pátria é a língua portuguesa”), pois também ele escreveu no regresso aos territórios da infância, a propósito da descoberta de uma biblioteca: “entrei pela primeira vez no que seria e é a minha única pátria: o meu idioma e as suas palavras.” (O Poder dos Sonhos).
No universo da literatura ibero-americana, a obra de Luís Sepúlveda ocupa um lugar muito especial, pela natureza da sua fidelidade às raízes latino-americanas, aos territórios oníricos da criação, à dimensão fantástica da sua escrita, à reelaboração da memória dos lugares e das pessoas na sua relação arterial com a História e as suas comunidades originárias.
Na incessante acção criadora, que é a sua forma de respirar com palavras, não faltam à escrita do autor de O Velho que Lia Romances de Amor a expressão identificadora de realidades primordiais e uma dimensão plástica da linguagem que lhe conferem uma certidão de autenticidade, e de estilo, só alcançável pelos grandes escritores. Enquanto navegava no prazer da leitura pela obra plurinacional de Luís Sepúlveda, não pude deixar de pensar que a sua escrita tem uma marca identificadora: a matéria dos sonhos. E, nessa contingência, penso que ela não reflecte mais do que a condição humana, na filiação de um pensamento a que podíamos juntar a literatura universal, personificada em Shakespeare ou Cervantes, cuja imortalidade estamos ou devíamos estar a comemorar, ambos obreiros de sonhos desmedidos ou não fosse o homem “feito da matéria dos sonhos”, como escreveu o criador de Hamlet.
Os ditadores torcionários da América Latina, cujos nomes não digo para não sujar a folha branca, também proibiram, muitos séculos depois da Inquisição o ter proibido, o Quixote, alegando que os livros de cavalaria eram perigosos pois faziam sonhar! Por isso, certamente também por isso, Luís Sepúlveda reclama para si a condição de escritor e sonhador.
Essa realidade de dimensão ontológica, a que se alia o combate pela memória como equação de preservação da vida (em que sonhos, dramas, indignidades, esperanças, euforias se misturam), projecta-a Luís Sepúlveda como um irrecusável compromisso de escritor, que é, também, a expressão maior da comum humanidade que os seus livros transmitem, sempre em louvor do homem, como se partilhassem todos eles o imemorial aviso de Antígona: “nada há mais maravilhoso do que o Homem”.
É esse o vector que ele exprime de forma lapidar: “Sonho e não me importo que uma visão do lucro como única orientação do homem estigmatize os sonhos e os sonhadores. Considero-me um sonhador, paguei um preço bastante duro pelos meus sonhos, mas são tão belos, tão plenos e tão intensos que voltaria a pagá-los uma e outra vez. Creio que não há sonho mais belo do que o de um mundo onde o pilar fundamental da existência seja a fraternidade, onde as relações humanas sejam sustentadas pela solidariedade, um mundo onde todos compartilhemos da necessidade de justiça social e actuemos com coerência.” “Os meus sonhos são irrenunciáveis, são indomáveis, pertinazes, e desafiam o horror do pesadelo ditatorial”, escreveu ele, e “a palavra escrita é a grande depositária dos sonhos.”
Esta questão liga-se como um fio à memória e à sua democratização social porque, diz Sepúlveda, “primeiro sou cidadão e homem livre depois sou escritor”. É bom ler estas palavras num tempo em que a responsabilidade ética de olhar e de reportar “o rumor do mundo” se dissolve no esquecimento e no silêncio e quando, como recentemente lembrava o escritor e jornalista Manuel Rivas, citando Camus, “não se pode perdoar à sociedade política contemporânea converter-se numa máquina para fazer desesperar os homens”.
Mas estamos aqui e agora a celebrar um autor e o poder da linguagem, um escritor cuja forte consciência ecológica o conduz sempre a defender os patrimónios comuns da humanidade, como é o caso da Patagónia ou da longa noite austral da Terra do Fogo, que são terras do coração de Mundo do Fim do Mundo. Nesta viagem de palavras, detenho-me agora num livro que é fascinante pela densidade humana e pode ser, de certo modo, uma síntese de muitos outros livros, O Velho Que Lia Romances de Amor. Comovente a narrativa pelo contexto fabuloso do universo onírico da floresta, pela denúncia do progresso envenenado e destruidor da natureza, pela humanidade dos índios xuar, pelas figuras do dentista e do velho (a premonição da sabedoria), pelo diálogo entre o livro e o leitor, pelo elogio dos livros de amor, onde ressuma, e estou a citar, “um amor puro sem outro fim que o próprio amor”.
É comovente o fascínio do velho a descobrir a aventura de juntar palavras e toda a ingenuidade da concretização do prazer da leitura, quando descobre que os livros de amor são, a mais das vezes, “histórias de duas pessoas que se conhecem e se amam a lutar para vencer as dificuldades que as impedem de ser felizes.”
No fundo, a conversa entre o dentista, o dr. Rubicundo Loachamín, e o velho, António José Bolívar, um homem de sabedoria desconcertante, transporta-nos para o mundo surpreendente onde nascem o desejo da leitura e o sortilégio do livro (neste caso os romances de amor) como forma superior de superar a solidão. Mas Luís Sepúlveda, que tem na reelaboração da memória alimento privilegiado do seu fazer literatura, cruza essa maneira de olhar o mundo com a sua biografia, também vincadamente expressa na sua obra criadora (como dizia Octávio Paz dos poetas), estando na primeira linha a defesa das liberdades, por exemplo, no golpe militar fascista de 11 de Setembro, de Pinochet. Luís Sepúlveda fazia parte da guarda ao Presidente Allende, no Palácio de La Moneda, como membro da Unidade Popular chilena. Esse e outros combates cívicos levaram-no aos caminhos do exílio, mas o Chile acaba por estar sempre presente no coração da sua obra.
Não me importo de dizer que eu e muitos da minha geração, chorámos lágrimas de desespero pelo crime contra a democracia chilena do Presidente Allende, tempo de “chacais”, como diz um verso indignado de Pablo Neruda, tempo que fez então do Chile um reduto de ignomínia e de morte.
É por isso que ainda me comovo quando leio essas narrativas de Luís Sepúlveda, com nomes e rostos de companheiros e amigos liquidados, torturados ou desaparecidos, ou quando o autor lembra as Mães e as Avós da Praça de Maio, essas estupendas mulheres argentinas, lutando pela memória dos que foram assassinados em terra ou lançados vivos de aviões da morte para as águas geladas do alto mar.
Essa inquietação de contar, de fazer viver a memória através da palavra, surge muito nítida em As Rosas de Atacama, quando, face à barbárie nazi que o campo de concentração de Bergen-Belsen documenta, Sepúlveda lembra a inscrição feita numa pedra por um preso, talvez com um prego, sabe-se lá, que dizia dramaticamente: “Eu estive aqui e ninguém vai contar a minha história”.
Não se sabe o nome, nem se conhece o rosto da vítima. Mas nesta simples história estão contidos todos os rostos, todos os nomes – e são milhões! - daqueles que, como no fabuloso poema de Jorge de Sena a Carta a Meus Filhos Sobre os Fuzilamentos de Goya,
"Nenhum Juízo Final, pode dar-lhes aquele instante que não viveram, aquele objecto que não fruíram, aquele gesto de amor, que fariam “amanhã.”
Mas às vezes, há nomes, como na história “A Morena e a Loira”, Carmen e Márcia, a evocação da tortura e do mundo concentracionário de Pinochet. A fundura do drama toca as lágrimas da narrativa de uma e de outra, idênticas na circunstância do mesmo inferno, como na breve página que eu trago aqui como preito de memória. Evoca Luís Sepúlveda:

"Era de noite em S.Tiago do Chile quando foram arrancar a morena de sua casa, quando, à pancada, a separaram do filho, quando, aos empurrões, a levaram até ao automóvel sem matrícula, e com um adesivo apartaram dos seus olhos o mundo”.
"Era de noite em S. Tiago do Chile quando foram arrancar a loira de sua casa, quando, à pancada a separaram do filho, do retrato do companheiro assassinado, quando, aos empurrões, a arrastaram até ao automóvel sem matrícula, e com um adesivo apartaram os seus olhos do mundo.”
"Não era de noite nem de dia quando a morena, nua e tremendo depois dos primeiros interrogatórios, ergueu ao de leve a venda que lhe cobria os olhos. Tempo morto. Tempo sem medida. A morena viu-se suja de hematomas causados pelas pancadas, de queimaduras deixadas pelos eléctrodos. Então mordeu os lábios e com todo o amor do mundo murmurou: “Não falei, não lhes disse nada, não me venceram”.
"Não era de noite nem de dia quando a loira, nua e tremendo depois dos primeiros interrogatórios, ergueu ao de leve a venda que lhe cobria os olhos. Tempo suspenso. Tempo sem mecanismos que o regulem. A loira viu-se suja de marcas de botas, com os traços do aguilhão eléctrico a marcar-lhe a pele. Então mordeu os lábios e com todo o amor do mundo murmurou: “Não falei, não lhes disse nada, não me venceram”.
Mas o que importa assinalar é a ternura com que Luís Sepúlveda fala delas: “As duas choraram, por certo, mas pouco, porque as mulheres gloriosas da minha geração e da minha história não permitiram que a dor se impusesse aos deveres e os deveres eram: organizar o silêncio, confundir a canalha fardada, resistir”.
A história, desta vez, tem um final feliz:
“Agora, vinte e cinco anos depois, Carmen Yañez, a morena, vê os seus poemas publicados em Espanha, na Alemanha, na Suécia e na Itália. Márcia Scantlebury, a loira, vê os seus artigos publicados em muitas línguas. Vejo-as caminhando, que lindas!, atraso-me ou adianto-me e cada vez me parecem mais bonitas, enquanto as pombas levantam voo à sua passagem e no céu escrevem: Salve, companheiras!”
Meus amigos,
É sempre bom ir a Borges em busca da sabedoria do tempo, para terminar. Conta ele em Inquirições que “no oitavo livro da Odisseia lê-se que os deuses tramam desgraças para que às futuras gerações não lhes falte algo que contar” e que a declaração de Mallarmé “O mundo existe para chegar a um livro” parece repetir, uns trinta séculos depois, o mesmo conceito de uma justificação estética dos males”.
No caso de Luís Sepúlveda e da sua obra, devemos apenas tomar posse da declaração de Mallarmé para dizermos que o seu mundo existe, e vai à sua procura, para chegar como um destino a muitos livros. São esses livros que merecem o Prémio Eduardo Lourenço. São esses livros que continuam a fazer-nos sonhar."

quarta-feira, 29 de junho de 2016

O RIDÍCULO EUROPEU


Os capatazes da União Europeia continuam empenhados na sua destruição. Têm realizado pacientemente esse trabalho, assumindo o papel de coveiros, que todos os dias pregam mais um prego no caixão do projecto europeu. Fingem não perceber que perderam a força moral e que não passam de eurocratas que servem abnegadamente a diabólica máquina do neo-liberalismo, a máscara recente do capitalismo selvagem.
Hoje, o "Público" titulava na primeira página: "Ameaça de sanções a Portugal põe em cima da mesa três cenários: um deles é uma multa de 1 euro". Isto parece uma anedota, mas os cavalheiros de Bruxelas têm passado o tempo a divertir-se com os povos europeus, numa brincadeira trágica e de efeitos letais no plano social.
Explica o diário que o primeiro dos três cenários possíveis é adiar a decisão até ao final do ano, esperando pelos dados da execução orçamental que até Maio estão a correr bem. Num segundo cenário, a Comissão Europeia poderia propor a aplicação de uma multa simbólica, de um euro, vincando que Portugal  está a ir no bom caminho, explica o "Público". Como última hipótese, sobra a terceira solução que é, naturalmente, a mais conveniente para Portugal: reconhecer que houve problemas no passado, mas não aplicar qualquer tipo de medidas correctivas.
António Costa respondeu bem ao lembrar que "perante decisões com o dramatismo da saída do Reino Unido, com a crise dos refugiados, com a ameaça terrorista, com as ameaças externas que afectam a Europa, é absolutamente ridículo estarmos a discutir 0,2% da execução orçamental do anterior governo".
A questão é que a Europa já não tem vergonha de cair no ridículo...

segunda-feira, 27 de junho de 2016

A MÁQUINA DO DESESPERO...


ILUSTRAÇÃO DE ZÉ DALMEIDA
Não perco, por nada, a leitura de Manuel Rivas, como cronista-escritor (ou como escritor-cronista!), pois ele combina admiravelmente nas duas funções um humaníssimo olhar sobre o mundo, sobre realidades próximas ou longínquas, sobre quotidianos que ele sabe arrancar da opacidade do silêncio para lhes dar dignidade e dimensão humana, sempre numa perspectiva mais universal. Hoje, no El País Semanal, fui por ele até Camus, autor do coração, a que é preciso regressar sempre. Rivas escrevia este domingo sobre Espanha e lembrou-se do autor de O Estrangeiro pelo seu amor à pátria de Cervantes ("A única terra onde me sinto plenamente eu mesmo, o único país do mundo em que se sabe fundir, numa exigência superior, o amor e o desespero de viver"). O cronista citava o compromisso de Camus contra, nos ambos de chumbo da Europa, a "injustiça triunfante na história". Esta expressão fez-me pensar muito nos tempos actuais de triunfante desumanidade, como se tudo aquilo que foram infernos (agora mais ou menos climatizados!) estivessem de regresso para imporem irracionalidades e absurdos.
Manuel Rivas toca, pelas palavras de Camus, na hipocrisia reinante: "O que não posso perdoar à sociedade política contemporânea é que se converta numa máquina para fazer desesperar os homens". Esta máquina de desespero, que foi no que se transformou a Europa, deve levar-nos a pensar e, sobretudo, a reclamar os valores originários, onde, além da paz -- ou por isso mesmo -- o projecto europeu era uma hipótese de felicidade por cima das fronteiras, na perspectiva de utopia de que o que mais contava eram os cidadãos e a luta contra as desigualdades.
Parar a máquina de desespero é, pois, uma política com carácter de urgência. Volto a Manuel Rivas, na caricatura da "máquina para fazer desesperar os homens": "Uma Europa que cortou o passo aos náufragos da história e que já limita com o grande cemitério marinho (...). A recusa em acolher as vítimas que buscam refúgio, fugindo de uma morte provável, é a primeira actividade da "máquina de para fazer desesperar. Para isso é, é uma incessante produtora de ódio face aos mais vulneráveis, "milhares de seres bloqueados como moscas no fundo de uma garrafa". A sua última manifestação foi o Brexit, com declarações inqualificáveis de líderes que se supunha responsáveis: os imigrantes de Calais assinalados como um perigo para a "identidade étnica".
Em 1985, o meu querido Zé Dalmeida publicou um cartoon que caricaturava a perplexidade do Zé Povinho face à Europa. O que isto se agravou! Hoje, o Zé Povinho podia ser substituído por muitos outros Zés Povinho da Europa, que as perplexidades dilatam-se à medida que correm os dias.

domingo, 26 de junho de 2016

ESPANHA!

Hoje, há eleições em Espanha. O resultado final poderá ser mudar apenas alguma coisa para tudo ficar na mesma. No Babelia, de ontem ("El Pais") Publicava-se um saboroso cartoon, buscado no imaginário do Quixote.
-- Gigantes, Sancho! - proclamava D. Quixote, sonhador.
E Sancho:
.. Não, meu senhor, são apenas candidatos contorcionando-se segundo sopra o vento.