terça-feira, 17 de janeiro de 2017

A MATERNA CASA DA POESIA


Não há como a poesia para forjar circunstâncias felizes. Quinta-feira, depois de amanhã, será tempo para nos sentarmos à mesa fraterna da poesia de Eugénio de Andrade, no Fundão. É 19 de Janeiro, diz o calendário, um dia especial, pois regista a data em que o poeta fazia anos. Então, às 21 horas, na Biblioteca que tem o seu nome, haverá palavras, música e poemas. O pretexto para a "festa" da poesia é a apresentação do meu livro A Materna Casa da Poesia. Sobre Eugénio de Andrade. Para falar dele e da poesia de Eugénio não haveria voz mais autorizada do que a do Professor Arnaldo Saraiva, que aliás é abundantemente citado no livro e estudou exaustivamente a obra do autor de As Mãos e os Frutos. Haverá música por um grupo de saxofonistas da Academia de Música, e Adelino Pereira lerá poemas e textos em que a matriz poética se cruza com a geografia sentimental da Beira. 

Com Eugénio de Andrade, em Póvoa de Atalaia, em Julho de 1990
O livro, diga-se já agora, tem muito a ver com os traços identificadores da invenção poética que conduzem à "materna casa", aos campos da Beira, à luz e ao sol, aos amieiros e aos rebanhos, tudo aquilo que levou Eugénio a dizer, um dia: "Das coisas melhores que me aconteceram na vida foi ter nascido numa aldeia da Beira Baixa e aí ter passado toda a minha infância". Cito do livro: "O amor, a terra, o homem. É A Materna Casa da Poesia de Eugénio de Andrade. Uma Casa comum, que os seus leitores habitam porque conhecem a arquitectura dos seus versos. Uma Casa feita sílaba a sílaba, onde a Escrita da Terra é sempre uma escrita do coração, um alfabeto de esperança que ilumina os dias e nos faz reconciliar com o tempo. Uma Casa onde aprendemos a amar o efémero, pois todos afinal estamos de passagem, como dizem os seus versos. Eis A Materna Casa da Poesia de Eugénio de Andrade. Basta ler a sua poesia -- e entrar. É a poesia que nos acolhe, "uma poesia perto da fala, do ritmo de cada uma das sílabas com que dizeis pão, água, vento, poeira".
Por isso, digo aos meus amigos e leitores: juntem-se a nós, no dia 19 de Janeiro, venham celebrar a poesia! Mesmo em tempo frio, não há melhor receita para aquecer o coração.