sábado, 15 de abril de 2017

Fellini na Praça Velha



Fellini na Praça Velha, o meu mais recente livro de ficção, é apresentado no dia 24 de Abril pelas 18h30m na Biblioteca Eugénio de Andrade, no Fundão. Trata-se de um romance sobre figuras e lugares do universo fundanense, cuja expressão literária quer sublinhar a espantosa coincidência entre a fantasia e a realidade, que é um dos grandes desafios da literatura.
Então o romance é uma espécie de filme de memórias, de imaginário livre, que Fellini poderia muito bem ter anotado na sua caligrafia de imagens e de sons. Ali, na Praça Velha, sentado porventura à mesa do Timã, ouvindo a crónica de um país fechado em grades.

Muitos exilavam-se no café e acolhiam-se à mesa do Timã para um breve hiato na retórica da desgraça, veneno diário que escorria pelas horas e tornava as pessoas macambúzias. Para ele, o humor era a grande invenção do espírito moderno, como dissera Octávio Paz. E fazia-o numa prática de grande alegria não poupando os tipos de cerviz baixa e sem coluna dorsal. Dizia – fazendo um gesto largo com os braços – ser enorme a corporação dos sabujos que eram capachos obedientes do Poder. 
– O outro tem razão! – dizia o Timã para caricaturar. – Isto, se calhar, é melhor dissolver o povo! Este não presta, aceita a canga e nem que o piques com o aguilhão das bestas, ele desperta...