Não há país como Portugal para transformar a coisa pública em propriedade pessoal. Não há como este país para fazer de instituições, que deviam ser respeitáveis, meras coutadas de mando e de favorecimentos, que é hoje uma forma perita de, em Portugal,  se pagarem fidelidades. O universo destas clientelas familiares disseminou-se pelo território e por todas as áreas. Os vícios privados, porque pessoais, embora as instituições sejam públicas, furam todas as leis. O capote do poder discricionário cobre tudo e o lugarzinho para si sai já! Que se lixe o mérito!
Ficam os favorecimentos  e os favorecidos intra muros. Às vezes, fala-se baixinho: o silêncio é a melhor atitude, a política é o meu trabalho (áh, como não faltam por aí salazares empalhados...) e não me tenho dado nada mal com isso...
Como dizia o Eça, perderam a vergonha!
A  legião dos favorecidos dilata-se um pouco, todos os dias. O poeta Alberto Pimenta bem os topou. Leiam o poema sobre os favores:

não tem direitos                 por isso compra favores 
fica a dever favores
faz favores                         para pagar os favores
compra novos favores       fica a dever favores
faz novos favores              para pagar os favores
faz favores                         paga favores
gosta assim                        não tem direitos
prefere favores                  gosta assim 

os direitos não se vendem nem se compram
e ele tem alma de traficante 


Sexta-feira, 17 de Janeiro de 2020
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